
Ele não foi o primeiro colocado, não é um gênio, não bateu nenhum recorde, e foi aprovado no concurso para o ISS-São Paulo. Ou seja, uma história típica de concursando, igual a você:
Oi, Pessoal! Meu nome é Marcelo Bargiela, tenho 35 anos e sou formado em Letras pela Universidade Federal Fluminense – UFF, situada em Niterói, uma cidade bem próxima do Rio. No momento, trabalho como professor de Português Jurídico na Universidade Estácio de Sá e, de vez em quando, atuo também no curso de Restauração.
Lia Salgado - Marcelo, por que você tomou a decisão de fazer concurso público?
Marcelo Bargiela - No final de 2004, eu tive uma crise, pois já estava no mercado há quase 13 anos e ainda não tinha estabilidade e nem um salário que eu achasse compatível com minha formação: tinha concluído um Mestrado, além de ter bastante experiência na área de Ensino. Tinha muitos planos para minha vida: filhos, apartamento próprio, realização profissional etc., e não estava vislumbrando uma possibilidade de conseguir realizá-los. Caramba, pensei, o que faço agora? Vou continuar investindo tempo e dinheiro na minha carreira ou... ou, o quê, Marcelo? Naquele momento, não conseguia enxergar outra saída.
Um dia, em dezembro de 2004, conversando com minha namorada, tentamos pensar em alguma saída. Ela me falou de uma tia (uma tal de Lia Salgado, conhece?) que, após passar momentos muito difíceis, havia conseguido passar num concurso e tinha dado a volta por cima. Aquilo me pareceu uma idéia. No mesmo dia entramos em contato com a tal tia (a Lia Salgado, não outra!) para obtermos maiores informações. Em janeiro de 2005, eu já estava matriculado no curso para a área Fiscal, é mole?
L.S. - Há quanto tempo você começou a se preparar para concurso?
M.B. - Bom, meus estudos começaram no início de 2005 em um cursinho no Rio aos sábados, o dia inteiro; quero dizer de 8:30 às 19:20. UAU!! não foi mole, depois das 16:00, o pessoal já estava “batendo cabeça na mesa”, quando não batia na cabeça do colega mesmo. Esse primeiro contato foi importante para conhecer algumas matérias, estabelecer um ritmo de estudo inicial, mas serviu também para me mostrar que o estudo em casa, depois das aulas, é essencial para aprimorar o conhecimento das matérias. Foi aí que os livros da Editora Ferreira e da Impetus foram VALIOSÍSSIMOS!! Além, é claro, do material do Ponto dos Concursos.
L.S. - Resumidamente, como foi sua trajetória? Houve reprovações?
M.B. - Durante o ano de 2005, eu só estudei e não fiz nenhum concurso. Alguns amigos já tinham feito alguns, mas eu queria me preparar melhor para um concurso que eu escolhesse. Não façam isso, pois a experiência de prova é MUUUITO importante para um concursando. Mesmo que você faça simulados (o que eu não fiz), estar lá na hora da prova com outros candidatos vai te ensinar muito. Mesmo que não tenha estudado todas as matérias, faça a prova.
Foi em maio de 2006 que eu fiz meu primeiro concurso: ICMS da Paraíba. O edital previa um prazo de 40 dias para a prova e eu estava “zerado” em, literalmente, metade das matérias. Ou seja, teria que estudar seis matérias novas e revisar as outras seis. Nossa, foi uma loucura!!! Estabeleci um plano de estudos para dar conta de tudo, mas não consegui revisar adequadamente algumas matérias básicas. A legislação do ICMS é simplesmente ENORME e aquilo tomou muito meu tempo!
Resultado: não fui classificado por causa de 4 questões. Só 864 passaram na prova, mas o edital previa 168 vagas.
L.S. - Qual foi o momento mais difícil? Como conseguiu superá-lo?
M.B. - Nossa! Sem dúvida, foi quando cheguei perto no concurso da Paraíba. Havia chegado tão perto, e agora, como superar aquela marca?
Só depois de algumas semanas já estudando para o ISS-SP eu percebi que poderia melhorar muito ainda meu desempenho numa prova. E foi isso que fiz, comecei a me exercitar fisicamente com mais freqüência, fiz mais exercícios de todas as matérias, consegui material mais adequado e completo, fiz revisões periódicas da teoria necessária para responder às questões mais freqüentes, entre outras coisas que, tenho certeza, todo concursando faz.
L.S. - Houve algum fato engraçado, curioso?
M.B. - Em dezembro de 2006, eu mandei um e-mail para minha namorada dizendo que não faria a prova do ISS-SP, pois, com certeza, não teria a menor chance nesse certame. Muita gente boa estaria lá e, como só havia chegado perto em um concurso muito menos concorrido, como teria chance para esse?
Olha, isso é A MAIOR BESTEIRA que alguém pode pensar, sabia? Uma reprovação muitas vezes não significa resultados negativos sucessivos, e sim aprovação logo!!! O importante é você tirar proveito da sua tentativa e melhorar seu condicionamento; como um atleta mesmo. SEMPRE É POSSÍVEL MELHORAR. Esse negócio de achar que alcançou um limite não tem fundamento.
L.S. - Avaliando agora, que atitudes você acha que podem alterar significativamente a qualidade da preparação?
M.B. - Em minha opinião, é muito importante que o aluno mantenha umritmo adequado de estudo, compatibilizando atividades de lazer (caminhadas são ótimos relaxantes, mas não pense no concurso)e, é claro, alimentação saudável. Faça exercícios de várias bancas,procure estar preparado para qualquer tipo de prova. Não faça só questões fáceis ou só as difíceis, só teóricas ou só práticas. Navegue entre elas. Essa atitude vai certamente elevar muito seu nível de estudo. Quando sair o edital, faça inúmeros exercícios da banca que vai organizar seu concurso.
L.S. - Qual o sentimento de ser aprovado num concurso tão difícil?
M.B. - Primeiro, você não acredita, depois você fica se perguntando como conseguiu. Alguns dias depois, “a ficha cai” e você começa a comemorar. Posso dizer que é um sentimento muito gratificante, afinal, sua família, amigos e parentes viveram isso com você também. O tempo que foi tirado deles você poderá retribuir em dobro, e agora mais tranqüilo.
L.S. - Enquanto espera a nomeação, quais são suas expectativas para o futuro?
M.B. - Bom, tenho planos de começar a estudar Direito e mais tarde tentar concursos nessa área. Também gostaria de dar aulas de Direito Civil ou Trabalhista, quem sabe? Ah, ano que vem pretendo também virar papai.
L.S. - Que recado você gostaria de deixar para quem ainda está vivendo essa maratona?
M.B. - Todo concursando passa, inevitavelmente, por momentos difíceis, frustrantes e cansativos. Não raro achamos que não vamos conseguir. Hoje vejo que se a pessoa estudar com método, não perdendo de vista seu objetivo, irá forçosamente “agarrar a vaga”. Portanto, procure estudar para uma área ao invés de estudar somente para um concurso ou, por outro lado, ficar estudando para todo concurso que sair. Isso não é saudável e nem recomendável.
Quando “bater na trave”, não fique desesperado (claro que ficamos tristes, tá bom?), pois isso indica que você já está chegando perto; falta pouco mesmo. É só continuar no ritmo e esperar a próxima aprovação, talvez num concurso bem melhor.
É isso aí. Boa sorte a todos.